Estruturas descobertas na Arábia Saudita são mais antigas que pirâmides egípcias, diz estudo



De acordo com cientistas, milhares de estruturas enormes construídas de paredes de rochas na Arábia Saudita, que têm em média cerca de 7.000 anos, são na verdade mais antigas que as pirâmides do Egito e os antigos círculos de pedras do Reino Unido.



Isso as torna as estruturas cerimoniais mais antigas alguma vez descobertas. Algumas delas têm mais de 460 metros de comprimento, mas são relativamente estreitas e às vezes são próximas umas das outras.

Estas construções são principalmente encontradas em leitos rochosos, às vezes em afloramentos rochosos acima do deserto, mas também podem se situar em montanhas e áreas baixas.



Estas estruturas são cerca de 2.000 anos mais velhas que o Stonehenge e a mais antiga pirâmide egípcia.

As enigmáticas estruturas espalhadas pelo deserto no noroeste da Arábia Saudita e denominadas de "mustatil", a palavra árabe para "retângulo", são muito mais antigas do que inicialmente se pensava, aponta estudo publicado na quinta-feira (29) na revista Antiquity.

Curiosamente, de acordo com a pesquisa os mustatil aparentemente faziam parte de um antigo "culto do gado" que louvava os animais, tal como mostram antigos desenhos feitos em rochas retratando rebanhos de gado, que devia ter sido essencial para sobrevivência do povo na região durante o Neolítico.




​Os mustatil: culto e monumentalidade do Neolítico é representado hoje no noroeste da Arábia Saudita.

"Consideramo-las como paisagem monumental", disse Melissa Kennedy, autora do estudo e arqueóloga na Universidade da Austrália Ocidental em Perth.

"Trata-se de mais 1.000 mustatil. Estas coisas são encontradas em [uma área de] mais de 200.000 quilômetros quadrados, e todos têm uma forma muito semelhante [...] então talvez isso seja a mesma crença ou entendimento ritual", acrescentou.



"Deve ter havido um elevado nível de comunicação em uma área muito vasta, porque a [maneira] como eram construídos foi comunicado às pessoas", explica o arqueólogo Hugh Thomas, autor principal do estudo.

Posicionamento geográfico de diferentes mustatil


Segundo a pesquisa, os mustatil mais simples foram construídos empilhando rochas para fazer muros de poucos metros de altura que formavam longos retângulos, com uma parede de "cabeceira" mais grossa em uma extremidade e uma entrada mais estreita na outra. As estruturas podem ter sido projetadas para conduzir uma procissão de uma ponta a outra, sugere o estudo.

Cientistas não sabem ao certo por que os povos antigos que edificaram os mustatil os construíram espalhados naquilo que atualmente é o Deserto da Arábia.

Artefatos encontrados durante escavações



Pesquisadores sugerem que, devido à existência de um pequeno nicho nas paredes mais grossas, os mustatil aparentemente teriam sido usados para sacrifícios de animais.



Em 2019, dentro de uma câmara de mustatil foram achados chifres e ossos de animais domesticados e selvagens, incluindo ovelhas e gazelas, mas principalmente eram de gado.

Os ossos permitiram aos cientistas datar as oferendas, que remontam a cerca de 5.000 a.C., o final do Neolítico, quando a região era muito mais úmida e tinha mais vegetação.


Retirado de: Sputnik Brasil

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