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Se formos para Marte, nossa dieta será baseada em insetos e plantas

NF sexta-feira, 27 de setembro de 2019 | 17:03:00



Se você ama carne e seu sonho é se mudar para Marte, temos duas más notícias. A primeira é que os planos de colonização do Planeta Vermelho demorarão para se concretizar. A segunda é que a dieta por lá será vegana.



Isso é o que defendem Kevin Cannon e Daniel Britt, da Universidade da Flórida Central, nos Estados Unidos. Segundo um artigo publicado pela dupla no periódico científico New Space, a alimentação por lá deverá ser baseada em vegetais se quisermos, de fato, povoar nosso vizinho.

Se quisermos criar uma comunidade independente que não se baseie em matéria-prima proveniente da Terra, é preciso começar a pensar em alternativas para a alimentação. Para os cientistas, os cinco principais recursos necessários para a vida marciana são energia, água, oxigênio, material de construção e alimentos.



Enquanto os quatro primeiro itens dessa lista são relativamente fáceis de ser encontrados em Marte, traços de vida ainda não foram encontrados por lá. Por isso, ao menos que a gente aceite comer areia vermelha, é essencial descobrir uma forma de alimentar as pessoas por lá.

"A comida provavelmente será a coisa mais difícil de fazer localmente em Marte, e você não pode importar tudo se quiser ter um assentamento autossuficiente", disse Kevin Cannon ao Space.com. Foi pensando nisso que ele e o colega decidiram investigar o que seria necessário para alimentar 1 milhão de pessoas no Planeta Vermelho.



Como explicam no artigo, pesquisas anteriores sobre suficiência alimentar em Marte se baseiam em vegetais, pois transportar e manter animais no vizinho da Terra não é tarefa fácil. (Se ainda não sabemos como manter humanos por lá, imagine vacas, porcos e galinhas?)

Esperança carnívora Fato é que nem todo mundo que sonha em sair desse planeta quer abrir mão dos hambúrgueres de carne bovina ou do frango assado de domingo. Pensando nisso, os norte-americanos passaram a considerar uma alternativa: usar as tecnologias atuais para produzir esse tipo de alimento em Marte.



Uma delas é promover uma alimentação baseada em insetos que, enquanto são alternativas extremamente proteicas, também podem fornecer muitas calorias e ser cultivados com pequenas quantidades de água. Entretanto, para quem não é fã da ideia de comer grilos fritos, Cannon e Britt apontam a produção de carne em laboratório como alternativa eficiente.

Ainda existirão alternativas, como a ingestão de proteínas via algas, leites e ovos (todos de origem animal, é claro). "As grandes quantias de dinheiro que os investidores colocaram no refino dessa tecnologia já reduziram os custos de um hambúrguer de carne cultivada", acrescentaram os especialistas.

Representação de como seria uma casa em Marte (Foto: Divulgação/NASA)



Além de satisfazer a vontade da população, os estudiosos acreditam que as alternativas que encontraram são interessantes, pois economizam espaço e energia. "Se você deseja alimentar uma grande população em outro planeta, precisa esquecer a ideia de vegetais aquosos e realmente pensar nas enormes quantidades de energia, água e matérias-primas necessárias para produzir calorias suficientes", argumentou Cannon.

Pensando nisso, o artigo sugere que 100 anos serão necessários para qualquer colônia se tornar autossuficiente em Marte, já que uma quantidade mínima de ingestão calórica é necessária por dia. Logo, enquanto o planeta vermelho ainda depender da Terra, a ideia é modificar algumas plantas geneticamente, para que sejam mais nutritivas e úteis.



Depois desse primeiro século, os autores do artigo especulam que uma economia local pode surgir: "Qualquer coisa acima desses requisitos mínimos [de calorias] poderia ser uma atividade comercial”, disse o editor-chefe da New Space, Ken Davidian, em declaração. "Não é difícil imaginar que café, frutas ou qualquer item de comida que exceda os requisitos mínimos seria um item fungível — caso os clientes quiserem se satisfazer.”

Enquanto nossa mudança para Marte ainda não tem data para acontecer, Cannon e Britt argumentam que sua pesquisa é útil para terráqueos. "As restrições impostas por Marte, que tem uma atmosfera fria e fina, obrigam você a produzir alimentos de maneiras que são realmente mais sustentáveis ​​e éticas do que o que é feito na Terra com as práticas atuais de produção industrial", apontou Cannon.

Para quem estiver a fim de experimentar a dieta marciana, os cientistas criaram um site com tabelas nutricionais e mais informações sobre essas alternativas alimentares.


Retirado de: Galileu



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