sábado, 22 de setembro de 2018

Escutas telefônicas mostram plano de criminosos do RN para entrar na política



A região Nordeste viu seus índices de violência aumentarem na medida em que as facções criminosas avançaram sobre a região em uma disputa sangrenta por mercado e pontos de escoamento de drogas para o exterior.

Há indícios também de que facções estejam tentando coagir eleitores a não votarem em determinados candidatos. No Rio Grande do Norte, a situação parece ser ainda mais crítica. Os traficantes querem infiltrar criminosos na política local.

Um relatório produzido pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) indica que 33 dos 167 municípios do estado estão sob influência de facções como Sindicato do Crime e PCC.

Interceptações telefônicas feitas pelo MPRN com autorização da Justiça, em 2016, captaram conversas entre dois suspeitos de integrarem a facção Sindicato do RN.

Alan Marcos Zico Fonseca, conhecido como Alan Bigodinho, sugere a Raimundo Kleber Benicio da Costa, o “Cego de Santa Cruz”, que a organização deveria infiltrar alguém na política. O colega dá risada e diz que isso estava sendo providenciado.

Ele conta que, durante as eleições daquele ano, foi procurado por um candidato a vereador do município de Santa Cruz pedindo autorização para ingressar em uma área controlada pela facção para “comprar votos”:

Confira a transcrição das conversas

Allan Bigodinho: Sabe o que era para nós ter feito? Era pra ter infiltrado um pessoal nosso nessa política aí.

Cego de Santa Cruz: (risos) Mas está tendo. Tem um lá na Santa [município de Santa Cruz]. Quem ligou pra mim foi Edu. Ligaram pra mim, tá ligado? Os meus vaqueiros é que foram lá, entendeu? Os vereador (sic) que pediram pra subir lá, pra comprar votos, entendeu?

Allan Bigodinho: Demorou…

Cego de Santa Cruz: Aí disse que, se ele ganhar, ele disse que fortalece lá a quebrada. Ele disse: “pode deixar que, se eu ganhar, eu tô lá por vocês”.

Quem é o candidato?
O candidato em questão não chegou a ser identificado pelos investigadores. “Não conseguimos identificar de quem é que eles estavam falando”, afirma uma fonte ouvida pelo UOL. “Não sabemos, por exemplo, se essa pessoa foi ou não eleita.”

O outro lado
A reportagem tentou contato por telefone com os advogados de Alan e Raimundo com base no CNA (Cadastro Nacional dos Advogados) mantido pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas até a última atualização desta reportagem, as ligações não haviam sido atendidas.





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