sábado, 18 de agosto de 2018

Segundo debate entre presidenciáveis foi marcado pelo embate entre Bolsonaro e Marina



Um novo embate envolvendo Jair Bolsonaro (PSL) marcou o debate presidencial da RedeTV!, realizado na última sexta-feira, 17 de agosto. A oponente, dessa vez, foi a candidata Marina Silva (Rede Sustentabilidade), que citou a Bíblia para criticar a postura do oponente logo após se defender de críticas sobre aborto e drogas, dizendo que o Estado é laico.


O confronto começou com Marina Silva atacando a postura de Jair Bolsonaro em relação às diferenças salariais entre homens e mulheres. O candidato do PSL acredita que o Estado não deve se intrometer nessa questão porque a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) já define a igualdade.

A candidata da Rede reagiu criticando Bolsonaro, dizendo que a visão dele em relação aos problemas que o Brasil enfrenta, como a segurança pública, por exemplo, é por ordem “no grito e na violência”.

“Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães, nós educamos os nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver um filho sendo educado para ser um cidadão de bem. E você fica ensinando para os nossos jovens que têm de resolver as coisas na base do grito, Bolsonaro. Você é um deputado, você é pai de família. Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar”, criticou Marina.

Jair Bolsonaro não recuou, e pontuou pontos polêmicos da candidatura da oponente: “Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para aborto e maconha e quer agora defender a mulher. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, que tem um filho jogado no mundo das drogas. Você não sabe o que é isso para defender um plebiscito nesse sentido. Eu defendo a mulher e defendo inclusive a castração química para estupradores”, enfatizou.

A essa altura, Marina tentou interrompê-lo, e Bolsonaro impediu: “Não, não, não. A senhora não pode me interromper”, argumentou, antes de continuar seu raciocínio, argumentando que mulheres devem ter direito à posse de armas de fogo em casa para uso pessoal em proteção a si mesma.

Marina, então, usou raciocínios conflitantes para responder a Bolsonaro. Começou citando a passagem bíblica de Provérbios 22:6, que diz “ensina a criança no caminho em que deve andar e, mesmo quando for idoso, não se desviará dele”, acusou o candidato líder nas pesquisas de promover a violência, e concluiu dizendo que sua postura a favor de um plebiscito sobre aborto e drogas se deve ao fato de que “numa democracia, o Estado é laico“.

Causa estranhamento o fato de Marina citar a Bíblia para criticar a postura de outro concorrente à presidência da República durante um debate, mas deixar sua fé de lado para defender um plebiscito sobre descriminalização das drogas e aborto porque o conceito de Estado laico, supostamente, a obriga a se portar dessa forma. Ou a fé vale como influência em tudo, ou não vale para nada.

Como o tempo e as vezes de cada candidato já tinham se esgotado, Bolsonaro disse para Marina Silva ler “o livro de Paulo”. De acordo com informações do portal Uol, durante o intervalo comercial, Ciro Gomes (PDT) foi cumprimentar a candidata por sua resposta ao oponente conservador.

Propostas
Os principais temas abordados no debate foram temas ligados à área econômica. Chamou atenção o fato de o púlpito reservado ao candidato do PT, Lula, ter sido retirado do estúdio a pedido de sete dos oito candidatos. Apenas Guilherme Boulos (PSOL) se opôs.

A ausência de Lula no debate se deu por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recusou o pedido do ex-presidente para participar, já que ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) cumprindo pena de 12 anos e 1 mês imposta numa condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ao longo do debate, o tom entre os candidatos foi forte, com embates também entre Ciro Gomes e Geraldo Alckmin (PSDB), Boulos e Henrique Meirelles (MDB).

Cabo Daciolo (Patriota), Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin enfatizaram que investirão em Educação caso sejam eleitos.

“O problema da nossa nação chama-se gestão. Gestão e política pública. Eu quero dizer a você que está me ouvindo, cidadão brasileiro, povo brasileiro, você tem direito à educação, a saúde, a alimentação, ao trabalho, ao transporte, ao lazer”, disse Cabo Daciolo.

Bolsonaro reiterou que combaterá a “ideologia de gênero” e a “partidarização” em sala de aula, confirmando que pretende incluir métodos das escolas militares – que possuem alto índice de aprendizado e notas – nas escolas do ensino fundamental, como forma de melhorar a qualidade da educação.

Já Alckmin não entrou em detalhes sobre o que pretende fazer para melhorar a qualidade do ensino, mas admitiu que é preciso fazer algo: “O dinheiro sempre vai ser apertado. No próximo governo, no outro… Governar é escolher, e nós vamos priorizar a educação, educação básica, priorizar a saúde, meu dever até como médico, e a segurança pública. E trazer investimento privado para a infraestrutura do nosso país, que vai gerar muito emprego, e rapidamente”, afirmou.

Boulos, que é um defensor do fim da Polícia Militar, disse que resolverá o problema da segurança investindo em investigações: “Nós vamos fazer isso, e vamos fazer enfrentando o crime organizado de verdade. Porque vamos falar a verdade aqui para o povo brasileiro: o crime organizado, o comando dele, não está no barraco de nenhuma favela, está mais perto da praça dos Três Poderes do que da favela da Rocinha”, sugeriu.





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