quarta-feira, 15 de agosto de 2018

MST pede ajuda de R$ 250 mil a PT e centrais para pagar despesas do ato pró-Lula em Brasília e não aceita troca de Lula por Haddad



O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) chegou nesta terça-feira, 14, a Brasília para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aceitar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, ao Palácio do Planalto nas eleições 2018 e reclamar da postura de antigos aliados. Lideranças da entidade ligada ao campo pedem ajuda para aliados como o PT e centrais sindicais pagarem uma dívida de R$ 250 mil com a montagem das tendas para abrigar os 5 mil militantes acampados no entorno do Estádio Mané Garrincha. O registro da candidatura de Lula será feito nesta quarta-feira, 15, no TSE.

Há divergência no grupo sobre a estratégia política adotada pelo PT. “Estamos em divergência com setores eleitoreiros do próprio partido que querem ganhar a eleição a qualquer custo”, afirma João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento. Ele afirma que a defesa de Lula é uma “causa política” e, hoje, o MST não aceita discutir o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para substituir Lula na chapa do PT à Presidência.

“Não aceitamos plano B. Haddad pode ganhar a eleição, mas vai ser mais uma Dilma Rousseff. Não terá força política. Só Lula tem força”, avalia João Paulo Rodrigues. “A direita quer a indicação dele (Haddad) para depois dizer que nós aceitamos participar do jogo”, completa. “Mesmo cassado, o nome do Lula tem de estar na cédula. Não queremos uma vitória eleitoral. Queremos uma vitória política.”

Cerca de cinco mil militantes do MST estão num acampamento montado no entorno do Estádio Mané Garrincha. Até o começo da tarde, 130 ônibus desembarcaram militantes que participarão do ato previsto para esta quarta-feira. O trânsito na região central de Brasília ficou engarrafado. A maioria dos veículos foi alugada por grupos do MST e de cooperativas de pequenos agricultores da região do entorno de Brasília, de Goiás, da Bahia, de São Paulo e de Minas Gerais.

Há previsão da chegada de outros 70 carros. Nos bastidores, lideranças reclamam especialmente de figuras do PT da Bahia, que rejeitaram qualquer apoio para o deslocamento de militantes. Os alimentos consumidos no acampamento foram trazidos pelos sem-terra. O governo do Distrito Federal deslocou policiais militares para fazer a segurança dos acampados.

João Paulo Rodrigues avalia que, além das estratégias de alianças nos Estados, outros fatores impediram que o número de participantes no acampamento pró-Lula fosse maior. “Geralmente, as mobilizações ocorrem nas defesas de categorias. Não é o caso desta vez”, afirma. “Sindicatos e partidos também enfrentam problemas como a falta de dinheiro do imposto sindical e do fundo partidário. Como o MST não depende desses recursos, estamos em maioria aqui”, afirma.

Ele, no entanto, não deixa de cobrar maior empenho de legendas aliadas. “O PCdoB não joga a mesma energia de antes”, ressalta. “Agora, o MST não é filiado a partido, por isso não tem outro nome para a sucessão nem busca alianças. O que buscamos é acumular forças na nossa base”, afirma. “Se os tribunais negarem a candidatura de Lula, vamos sair derrotados apenas eleitoralmente.”


Estadão



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