terça-feira, 24 de julho de 2018

Sindicatos do RN chegam a perder mais de 50% de arrecadação com fim do imposto obrigatório



O fim da obrigatoriedade do imposto sindical, instituído pela reforma trabalhista, afetou as finanças de muitos sindicatos no Rio Grande do Norte. A crise se instituiu, principalmente, nas entidades que representam trabalhadores do setor privado. No Sindicato dos Empregados em Supermercados (Sindsuper), por exemplo, a queda na receita pode ser de mais de 50% este ano.

“Antes da reforma trabalhista ser aprovada, a gente recebia, por ano, R$ 700 mil. Agora, do jeito que está se caírem R$ 300 mil este ano vai ser muito”, previu o presidente interino do Sindsuper, Tales Freitas.

Para compensar a queda na arrecadação, Freitas conta que “acordos com as empresas têm sido feitos para beneficiar os trabalhadores e, consequentemente, o sindicato”.

A antecipação do Sindsuper nas negociações patronais demonstra uma tentativa de evitar que o empregado negocie sozinho. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) essa possibilidade, prevista na reforma, é pior do que o próprio fim da contribuição sindical.

“É que a autonomia do sindicato foi afetada. Uma coisa é todo mundo negociar melhorias e outra é o trabalhador fazer sozinho. Isso prejudica toda a classe”, argumentou a presidente da CUT no estado, Eliane Bandeira.

Para evitar que os sindicatos mergulhem mais fundo na crise, a CUT trabalha em iniciativas como o incentivo à sindicalização. Outra medida é a chamada taxa negocial que seria uma quantia a ser paga, de acordo com a presidente, “quando um sindicato conseguir, por exemplo, um aumento para determinada categoria. Aí todos os beneficiados, mesmo os não sindicalizados, contribuiriam com a entidade”.

Outra medida buscada pelos sindicatos é a prestação de serviços de importância relevante para o bem estar dos trabalhadores. Nisso, o Sindicato dos Técnicos Administrativos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte foi um dos pioneiros. A entidade aboliu o imposto sindical antes mesmo da aprovação da reforma para buscar associados através da oferta de serviços garantidos por quem se junta ao órgão.

“Temos, por exemplo, uma carteira para associados que garante desconto em vários estabelecimentos comerciais. Nos cinemas, o abatimento chega até a 50%. Tem também a história do nosso plano de saúde, que o Ministério Púbico contestava, mas que conseguimos tornar lei na Assembleia Legislativa e, assim, garantir assistência aos associados”, destacou o presidente da entidade, Francisco Elineudo Melo.





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