terça-feira, 24 de julho de 2018

Sem reformas, Brasil terá crise e afetará economia global, diz analista



O mercado financeiro global vem acompanhando com tensão a movimentação política no Brasil no ano eleitoral. O Fundo Monetário Internacional (FMI) recentemente também alertou sobre os riscos políticos para a economia, e reduziu a previsão de crescimento do PIB do país em 2018. A grande preocupação dos investidores é que o novo presidente eleito em outubro ignore o que eles veem como necessidade de reformas estruturais urgentes no país.


Se isso acontecer, ''devemos nos preparar para uma grande crise econômica na oitava maior economia do mundo, o que pode gerar problemas para toda a economia global'', escreve o analista de economia global Desmond Lachman, em um artigo publicado no site do think tank American Enterprise Institute.

Especialista em macroeconomia global, Lachman atuou como vice-diretor no departamento de políticas de desenvolvimento do FMI, e vê o alerta emitido recentemente pelo Fundo como fundamental para a definição das políticas econômicas do Brasil.

''Se os formuladores de políticas do Brasil podem argumentar que não entenderam completamente o sinal claro que os mercados estão enviando sobre a necessidade de reformas econômicas e das finanças públicas, eles não têm desculpa para não entender a mensagem explícita do FMI sobre a urgente necessidade de reforma econômica'', diz.

Uma reportagem recente no jornal ''Financial Times'' tratava dessa preocupação internacional. A falta de um consenso sobre a necessidade de reformas estruturais no país entre os principais candidatos a presidente é a origem da preocupação.

Site do FMI sobre o Brasil

Para Lachman, os sinais de que o Brasil pode não ter um movimento político a favor das reformas na economia são preocupantes, e o crescimento de ''candidatos populistas'' (sem citar nomes) nas pesquisas de intenção de voto para presidente dão sinais ainda mais inquietantes.

Os possíveis efeitos de um agravamento da crise brasileira nos Estados Unidos, entretanto, podem levar o governo americano a pressionar o Brasil pelas reformas, ele argumenta.

Segundo Lachman, ''a última coisa de que a economia dos EUA precisa é de uma crise econômica e financeira generalizada no Brasil''.

''Espera-se que, em seu cenário de políticas monetárias e comerciais, os formuladores de políticas dos EUA estejam tomando nota do caminho perigoso em que a economia brasileira se encontra agora, e de como o Brasil pode impactar as economias dos EUA e do mundo. (…) Alguém poderia pensar que a última coisa de que a frágil economia do Brasil precisa é de uma intensificação da política protecionista ou um aumento nas taxas de juros dos EUA'', diz Lachman.


Fonte: Uol



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