domingo, 29 de julho de 2018

PF acha com amigo de Temer extrato de firma ligada a porto



Os documentos mostram uma operação bancária, realizada em 2016, em dólares, no valor atualizado de cerca de R$ 8 milhões.

A PF achou os papéis durante uma busca e apreensão da Operação Patmos, no ano passado.

O nome da Votorantim consta em uma planilha de 1998, que para investigadores trata de pagamentos de propina de empresas do setor portuário para políticos, entre eles Temer.

A tabela foi recuperada pela PF e é a base do inquérito aberto envolvendo o presidente.

A polícia já identificou repasses e outras relações com o coronel amigo de Temer de empresas diversas que também aparecem na planilha.

Esse é o primeiro documento, com data posterior à tabela, com menção ao grupo empresarial paulista, um dos maiores do Brasil, vinculado de alguma forma ao coronel. A empresa diz que se trata de uma operação regular relacionada à venda de zinco e que desconhece o motivo de o papel ter sido encontrado na casa de Lima.

O coronel não se manifestou especificamente sobre o documento apreendido pela PF.

O extrato está em nome da Votorantim Zinco e Metais, hoje chamada de Nexa.

O grupo Votorantim está no Porto de Santos (SP) há 30 anos, desde 1997, com a Fibria Celulose, da qual atualmente é acionista. Desde setembro de 2017, quando seu acordo venceu, a Fibria opera no local sem contrato, com base em uma liminar da Justiça.

A empresa solicitou ser beneficiada por decreto do presidente Temer que permite ampliar de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos firmados após 1993.

O decreto passou a ser investigado no final do ano passado, por causa de ligações interceptadas pela PF durante a delação premiada da JBS.

A PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) querem saber se houve pagamento de propina por parte de empresas do setor portuário para a edição da norma.

Além do contrato que venceu, a Fibria tem outro acordo no Porto de Santos, assinado após vencer um leilão em dezembro de 2015 —o valor da outorga foi de R$ 115 milhões. O acordo, porém, só foi assinado de fato em 2016.

Em outra ponta, a companhia tem uma parceria agrícola com coronel Lima em sua fazenda, a Esmeralda, em Duartina, interior de São Paulo, desde 2005. A fazenda fornece madeira para o mercado de celulose.


Folha



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