terça-feira, 27 de março de 2018

Moro cresce enquanto o Supremo se apequena



O juiz Sérgio Moro não teve adversário na primeira entrevista exclusiva que concedeu a uma emissora de televisão desde os primeiros passos da Operação Lava Jato, lá se vão quase quatro anos.


Disse o que quis, da maneira que quis, sem deixar-se intimidar e, é bem verdade, sem que ninguém ao seu redor tivesse demonstrado disposição para tal. De certa forma, todos foram reverentes com ele.

Não fugiu a nenhuma pergunta da bancada de cinco jornalistas comandada por Augusto Nunes, em sua última aparição como apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura.

Foi hábil ao não criticar uma só decisão do cada vez mais controverso Supremo Tribunal Federal. Nem por isso negou-se a afirmar que o eventual fim da prisão em segunda instância será “um passo atrás”.

Elogiou os ministros Edson Fachin e Celso de Mello. Marcou sob pressão a ministra Rosa Weber, a quem também elogiou. Evitou bola dividida ao não mencionar os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso

O destino de Lula, para Moro, é caso liquidado. Uma vez que o condenou, e que o tribunal de Porto Alegre, por duas vezes, confirmou a condenação, a Moro só cabe mandar prendê-lo quando, e se o Supremo o permitir.

Caso não permita, sugeriu então que se pressionem os candidatos a presidente da República para que se comprometam em restabelecer a prisão em segunda instância por meio de uma emenda à Constituição.

Diante de uma plateia, àquela altura, extasiada e feliz com a informação de que a entrevista era o assunto mais citado no twitter mundial, Moro deu-se ao luxo de se comportar até como o candidato que não será.

À vontade, defendeu o povo brasileiro da suspeita de que seja tolerante com a corrupção, orientou-o para que vote melhor nas eleições de outubro e ainda deixou uma mensagem de esperança no futuro do país.

Show de bola. Venceu de 7 a 1. Ou melhor: de 7 a 0. (Certamente para tristeza de Gilmar Mendes!)

Por Ricardo Noblat



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