segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Movimentos sociais montam resistência à condenação de Lula



Diversos movimentos sociais anunciaram que estarão em Porto Alegre durante o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 24 de janeiro. Em entrevista exclusiva, o Senador Jorge Viana (PT-AC) comentou o assunto.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) devem montar acampamento no Parque da Harmonia, localizado nos arredores do Tribunal Regional da 4ª Região, o TRF-4.

Na semana passada, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB) pediu reforço do Exército e da Força Nacional para a capital gaúcha, alegando risco de desobediência civil e ao patrimônio público. O pedido foi negado pelo ministro da Defesa Raul Jungmann.

Sobre o assunto, o senador do PT do Acre, Jorge Viana, falou à Sputnik nesta segunda-feira (8).

"Parece algo combinado. Um prefeito do PSDB, de Porto Alegre, inventa uma história de que vai ter ameaça à ordem pública, e tenta recorrer ao uso das Forças Armadas. No sentido de tentar sempre colocar uma situação que é completamente fora do real, tentando confundir a opinião pública".

Para a data de 24 de janeiro, está marcado o julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ministro da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, em discurso para 2.400 militares mobilizados para atuar nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, por corrupção e lavagem de dinheiro, a 9 anos e 6 meses de prisão. A condenação de 12 de julho de 2017 foi contestada pela defesa do ex-presidente, cujo recurso será julgado em segunda instância pelo TRF-4.

Para Jorge Viana houve uma celeridade fora do normal do TRF-4 durante o processo do recurso de Lula. Segundo o cálculo que vem sendo divulgado pela imprensa no Brasil, seria necessária a leitura de 2 mil páginas por hora para que o processo fosse apreciado no tempo em que está ocorrendo.

"Isso são fatos divulgados, inclusive por setores da grande imprensa que apoiam essa verdadeira caçada contra o presidente Lula, que apoiaram o impeachment sem crime de responsabilidade, mas que nem eles conseguem esconder. É um verdadeiro vexame para o judiciário brasileiro", afirmou o senador à Sputnik.

Questionado sobre uma possível candidatura de Dilma Rousseff a algum cargo nas próximas eleições, Jorge Viana despistou, dizendo que não, mas que ela tem pensado no assunto.

Caso o recurso de Lula seja negado, é possível que ele não consiga se candidatar à presidência, em 2018. A definição sobre isso, no entanto, só será conhecida após agosto deste ano.

O senador concluiu a entrevista apontando que seu partido não pensa em recuar das manifestações durante o julgamento, e que apoia os movimentos que se mostram solidários ao ex-presidente.

"Nós vamos seguir fazendo os movimentos no sentido de mostrar solidariedade para ele, juntar a sociedade brasileira por justiça e denunciar esse esquema, esse jogo de cartas marcadas de que o presidente Lula está sendo vítima. É um absurdo, no século XXI, nos tempos que temos hoje, você ver um golpe sendo materializado com a conivência que vai de setores da Polícia Federal, a setores do Ministério Público e setores do Judiciário brasileiro", apontou.

Jorge Viana afirmou que o PT não pensa em um plano B para candidato à presidência.



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