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Lula diz que doará apartamentos e sítio ao MTST se Justiça provar que são seus



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura da Expocatadores 2016, no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), em Belo Horizonte, no bairro Esplanada, na região Leste da capital, nesta segunda-feira (28). (Foto: Pedro Gontijo/O Tempo/Folhapress)


Em visita a uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) no ABC, neste sábado, o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que os processos a que responde na Justiça são fruto de perseguição política e ironizou as acusações de que seja dono de imóveis não declarados. Em um discurso aos sem-teto da ocupação, Lula disse que se conseguirem provar que o tríplex no Guarujá, o apartamento vizinho à sua cobertura em São Bernardo do Campo e o sítio de Atibaia forem seus, ele vai doá-los ao MTST.

— Estejam preparados, porque vocês podem ganhar dois apartamentos e uma chácara. Se conseguirem provar que são meus, serão seus. Pode avisar ao (juiz Sergio) Moro — disse Lula, sob os aplausos dos sem-teto que acompanhavam seu discurso.

Em apoio à ocupação do MTST, que reúne mais de sete mil famílias, Lula disse que o terreno de cerca de 70 mil metros quadrados em que estão instaladas não estava destinado a cumprir qualquer função social. O ex-presidente afirmou também que o movimento agiu corretamente ao ocupar o local.

— Nesse terreno não teria uma creche, uma escola, um hospital ou moradias populares. Então, vocês estão certos de ocupar para conseguirem um moradia digna — declarou.

Segundo Lula, as mais de sete mil família da ocupação, chamada “Povo sem medo São Bernardo do Campo” e que considerada a segunda maior da América Latina, são compostas por pessoas que perderam seus empregos ou não conseguem pagar aluguel. Por isso, o ex-presidente defendeu uma negociação pacífica com as autoridades e o seu proprietário, a Construtora MZM, com o objetivo de viabilizar um projeto de moradias populares naquela área.

— Quero, por esse microfone, falar com o prefeito, com o governador, com o presidente golpista e com o povo brasileiro, que aqui tem homens, mulheres, pais e mães de família que não querem confusão. Querem um teto para se abrigarem do calor e do frio. E queremos que os vizinhos sejam solidários com essas pessoas. Aqui não tem bandido e muito menos bandida. Nem querem também fazer daqui uma favela. Querem apartamentos iguais aos que todos moram. Que na próxima reunião tenha uma solução amigável. Agora, porque o presidente golpista não compra esse terreno? — questionou o ex-presidente, que está em pré-camapnha para 2018, referindo-se ao presidente Michel Temer (PMDB).

A ocupação, que fica no bairo Assunção, em São Bernardo do Campo, teve início em setembro. Os organizadores aguardam uma reunião a ser marcada pelo Grupo de Apoio às Ordens de Reintegração de Posse (Gaorp), do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O Goarp é formado por representantes dos governos federal estadual e municipal, além de representes do proprietário do terreno e do MTST.

O advogado das famílias, Roberto Lemos, explicou que já foi expedida uma ordem de reintegração de posse, mas o juiz do caso determinou que a sentença somente será cumprida depois da reunião de conciliação no Gaorp.

— Mas vamos entrar com um pedido de suspensão da ordem de reintegração em Brasília. Entendemos que esse terreno não cumpre nenhuma ação social e, além disso, tem uma dívida de R$ 500 mil em IPTU somente neste ano —afirmou Lemos.

Além do líder do MTST, Guilherme Boulos, participaram do evento na ocupação nesta tarde a senadora Gleide Houfman, presidente do PT, e o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

O Globo




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