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PM acusado de matar advogada a pauladas no RN deixou a prisão pelo menos 7 vezes em 46 dias

Gleyson Alex de Araújo Galvão deveria estar preso desde 2013, mas aparece em fotos recentes tomando banho de piscina (Foto: Cedida)

Em um mês e meio, mais precisamente entre os dias 15 de julho e 30 de agosto deste ano, o soldado da Polícia Militar Gleyson Alex de Araújo Galvão – que cumpre prisão preventiva em um quartel na Zona Norte de Natal pela morte da ex-namorada, a advogada Vanessa Ricarda de Medeiros – esteve 7 vezes em um condomínio de apartamentos que fica na Zona Oeste da cidade. É o que mostra o controle da portaria do residencial. Lá, em uma dessas visitas, o policial acabou sendo fotografado e filmado tomando banho de piscina.



Foi por causa dessas imagens, publicadas na semana passada pelo G1, que o comando da PM mandou abrir uma sindicância para apurar se o soldado saiu ilegalmente do quartel. Agora, ao tomar conhecimento dos dias e horários nos quais a presença do soldado foi registrada pela portaria do residencial, o coronel Zacarias Mendonça, comandante do policiamento metropolitano, disse que vai solicitar os registros ao síndico do condomínio e anexá-los ao processo.

O G1 tentou falar com os advogados do soldado, mas não conseguiu contato.

De acordo com a lista, Gleyson esteve no condomínio duas vezes em um único dia. Isso aconteceu em 16 de julho, quando ele entrou à tarde e à noite. Já no dia 30 de agosto, a entrada aconteceu na madrugada. Veja os dias e horários:

15 de julho (13h39)
16 de julho (14h50)
16 de julho (19h20)
4 de agosto (15h15)
20 de agosto (13h45)
21 de agosto (20h36)
30 de agosto (01h25)

Livre acesso
Além da lista que mostra as entradas, o G1 também obteve o registro que foi feito junto ao condomínio para que o policial tivesse livre acesso ao residencial. Por questão de segurança, o nome da pessoa que autorizou o cadastro terá o nome preservado.

Vanessa Ricarda de Medeiros tinha 37 anos (Foto: Anderson Barbosa/G1)

Réu preso
Gleyson Araújo, que tem 36 anos, está detido sob força de um mandado de prisão preventiva. Ele foi preso em flagrante no dia 14 de fevereiro de 2013, momentos após o crime. Atualmente, conforme o próprio comando da PM, está detido no 4º Batalhão, na Zona Norte de Natal.

Por várias vezes a defesa do réu tentou colocá-lo em liberdade, alegando problemas mentais. Contudo, os pedidos foram negados pelo juiz Ederson Batista de Morais. Para o magistrado, o quadro de insanidade não foi comprovado. Na decisão, ele destacou que em mais de seis anos de trabalho como policial militar, Gleyson Araújo nunca precisou ser afastado para se tratar de nenhum problema relacionado à saúde mental. Além disso, o fato de o policial ter ensino médio completo, já ter cursado o ensino superior e ter sido aprovado em concurso público de "significativa dificuldade", pesam contra a instauração do incidente de insanidade. O juiz ressaltou também que o acusado "sequer soube dizer qual o distúrbio que, em tese, o acometia, mesmo sendo pessoa de relevante grau de instrução".

"A única tese de defesa que se tentou construir no processo, sem êxito, foi a de que o acusado está louco e não lembra o que fez. Essa afirmação absurda é desmentida nos autos, embora a defesa tenha conseguido, sabe-se lá como, um laudo atestando a doença mental. Creio que o crime não ficará impune e o assassino deve pegar em torno de 12 a 30 anos de reclusão, como prevê o código penal”, comentou o advogado Emanuel Grilo.

Júri adiado
O soldado deveria ter sentado no banco dos réus em novembro de 2016, mas o júri popular acabou adiado porque o Ministério Público solicitou uma nova avaliação psiquiátrica do policial. Em julho deste ano, o juiz Rafael Barros Tomaz do Nascimento determinou que o soldado fosse submetido a um exame de sanidade mental. O teste chegou a ser marcado para o dia 15 de agosto, mas não aconteceu porque a defesa de Gleyson alegou que ele havia surtado, tendo sido necessário interná-lo com urgência no Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado.

O advogado Emanuel de Holanda Grilo, que defende a família de Vanessa Ricarda, cobra respostas. "Isso é um descalabro. E quem, dentro do comando da PM, estiver dando cobertura a essa situação, está cometendo um crime. O governador deve tomar providências imediatas ou se tornará cúmplice desse absurdo".

O assassinato
Funcionários do Motel Cactus, onde a advogada Vanessa Ricarda foi espancada, acionaram a guarnição depois que escutaram uma discussão do casal. “Eles ouviram a mulher gritando e nós fomos chamados”, contou o tenente Everthon Vinício, do 8º Batalhão da PM, à época do crime.

De acordo com a acusação, Gleyson Galvão ficou chateado com o fato de a advogada ter se recusado a fazer sexo com ele na frente de uma outra pessoa. "Assim, ele atacou a vítima de surpresa, desferindo pauladas em sua cabeça", relata a denúncia feita pelo Ministério Público. Ainda de acordo com o MP, "ficou evidenciado o motivo fútil, a utilização de meio cruel e a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima como qualificadoras do crime de homicídio".

O PM foi encontrado na área comum do prédio onde funciona o motel. O tenente Everthon Vinício contou também que o soldado Gleyson apresentava sinais de embriaguez e manchas de sangue pelo corpo. “Ele vestia somente um short, que estava todo sujo de sangue”, afirmou.

Ao entrarem no quarto, os policiais encontraram a advogada desacordada e ensanguentada. “O rosto dela estava bastante desfigurado e os objetos do quarto revirados”, relatou o delegado Everaldo Fonseca.

O corpo de Vanessa Ricarda foi enterrado no cemitério público da comunidade de Santo Antônio da Cobra, na zona rural de Parelhas, na região Seridó.

Familiares e amigos acompanharam o enterro da advogada Vanessa Ricarda, na zona rural de Parelhas (Foto: Anderson Barbosa/G1)

Fonte: http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/pm-acusado-de-matar-advogada-a-pauladas-no-rn-deixou-a-prisao-pelo-menos-7-vezes-em-46-dias.ghtml




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