sexta-feira, 29 de setembro de 2017

“Nem eu sei o que estou fazendo aqui”, revela manifestante que foi a ato de apoio ao MPT



A manifestação realizada na última quarta-feira, 27, em frente à Procuradoria Regional do Trabalho, em Natal, em apoio à ação que o órgão ingressou contra a Guararapes Confecções – para cobrar indenização por direitos trabalhistas que teriam sido preteridos a empregados de oficinas de costura que prestam serviços à gigante têxtil – contou com a participação de pessoas que não sabiam sequer do se tratava o protesto.


A constatação foi feita pelo youtuber Arthur Moledo do Val, do canal para a internet “Mamãe, falei!”, que foi ao ato convocado por centrais sindicais e entrevistou alguns dos participantes. Todos os personagens abordados tiveram a identidade preservada.

Em vídeo publicado pelo canal do YouTube nesta sexta-feira, 29, manifestantes demonstram desconhecimento da ação contra a qual protestam e revelam a Arthur que foram conduzidos para o local do protesto a pedido de líderes sindicais. “O rapaz que toma conta lá [sindicato] que reúne a gente e traz todo mundo”, conta uma participante, que veste uma camisa provavelmente confeccionada no sindicato. “Nem eu sei o que eu estou fazendo aqui”, revela outra.

Outras participantes do ato chegaram a afirmar para o youtuber que são “contra o fechamento do Guararapes” e que apoiam o trabalho da empresa, acusada em outras ações de expor funcionários a más condições de trabalho. “Estão querendo fechar a Guararapes… Somos contra, porque vai deixar um monte de gente sem trabalhar”, se posicionou uma idosa, adotando postura contraditória, uma vez que o objetivo do protesto era apoiar a Procuradoria Regional do Trabalho, que busca punições contra empresa.

Além dos manifestantes em si, o canal “Mamãe, falei!” entrevistou dirigentes de sindicatos que conclamaram a manifestação. Um dos diretores, que se apresenta como advogado, elogia a atuação de Ileana Mousinho, uma das procuradoras que assinaram a ação civil pública contra a Guararapes. “Excelente”, diz sobre o trabalho da representante do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Instado, no entanto, a exemplificar, o manifestante desconversou. “Bem… de cabeça, eu não vou lembrar”.

Os manifestantes entrevistados por Arthur Moledo do Val assinalaram ainda que o MPT representa os trabalhadores. Em vários momentos do vídeo, entretanto, são mostrados trechos da manifestação realizada na semana anterior em que empregados da própria Guararapes e faccionistas do interior declararam repúdio à ação do MPT e apoio à empresa têxtil.

A AÇÃO
O Ministério Público do Trabalho ingressou com uma ação civil pública na Justiça contra a Guararapes exigindo pagamento de uma indenização no valor de R$ 37,7 milhões. Os procuradores que assinam o processo apontam que a empresa deve ser responsabilizada por direitos que teriam sido preteridos a empregados de pequenas oficinas de costura (facções) que prestam serviços terceirizados à Guararapes. Todas as microempresas são participantes do Pró-Sertão, programa criado em 2013 que tem o objetivo de interiorizar a indústria têxtil. Pelo programa, facções e Guararapes dividem a produção, cabendo a empresa finalizar e comercializar peças.

A ação vem sendo interpretada por apoiadores do Pró-Sertão como uma “perseguição” a Guararapes. Além disso, o meio empresarial entende que, uma vez próspera, a ação pode representar o fim do programa, que gera cerca de 4 mil empregos no interior do Rio Grande do Norte, sobretudo no Seridó.

Confira o vídeo abaixo:


Fonte: Agora RN



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