quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Estudo utiliza semente de planta do Nordeste para destruir vírus HIV



Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com centros de pesquisa internacionais, conseguiram matar células infectadas com o vírus HIV sem causar danos a outras células saudáveis, graças à ação de uma substância extraída de plantas típicas da Nordeste brasileiro, como a Abrus pulchellus.



A pesquisa foi capaz de destruir 90% das células doentes, incluindo as que estavam adormecidas, em apenas 10 minutos, utilizando uma substância desenvolvida em laboratório, caracterizada como uma imunotoxina, associação entre um anticorpo e uma toxina aplicados em imunoterapias.

Na técnica usada pelos profissionais do Instituto de Física de São Carlos, o complexo é composto por um anticorpo que reconhece células infectadas pelo vírus HIV e pela toxina pulchellina, proteína extraída de trepadeiras. Essa descoberta é um feito histórico porque os medicamentos atuais para o tratamento da doença diminuem a quantidade do vírus no sangue, mas não funcionam contra organismos ocultos e adormecidos no corpo.

“Apesar dessa proteína ser tóxica, quando a gente liga essa proteína a um anticorpo que a gente já tem, o anticorpo carrega a proteína até aquela célula – e ele só reconhece a célula doente – e entra na célula com essa proteína, que, então, se desliga desse anticorpo e atua para matar a célula infectada com o HIV”, explica o professor Gontijo Guimarães, ao Jornal da USP.

Ingerida diretamente, a planta é capaz de matar, capacidade que está sendo direcionada pelos anticorpos para localizar o HIV no corpo infectado. Os medicamentos antirretrovirais aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida, mas segundo o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/AIDS e dos Hepatites Virais, eles precisam ser muito fortes, provocando diversos efeitos colaterais, como diarreia, vômitos, náuseas, manchas avermelhadas pelo corpo, agitação e insônia. É para contornar esses efeitos que o combate à doença pode mudar. Os pesquisadores utilizaram os anticorpos HIV 924 anti-gp120 ou MAc 7B2 anti-gp41, cedidos pelo NIH AIDS Research and Reference Reagent Program e células infectadas, do Department of Pediatrics da Harvard Medical School (EUA). A Pulchellina foi associada aos anticorpos com ajuda do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual da Louisiana (EUA).

Há 827 mil pessoas portadoras de HIV no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. No mundo, são mais de 36,7 milhões. “Existem imunotoxinas no mercado que são eficazes para o tratamento de células cancerosas. Mas elas não são capazes de matar células adormecidas, como as células infectadas pelo HIV”, explica o físico biomolecular Mohamad Sadraeian, autor da pesquisa, cuja tese foi publicada na Revista Nature. Ainda há um longo caminho, no entanto, para validar testes em humanos, uma vez que os protocolos médicos exigem o cumprimento de diversas etapas antes da fase clínica das pesquisas, mas os pesquisadores envolvidos se mostram animados na possibilidade de um passo a mais ser dado na cura da AIDS.

Fonte: Diário de Pernambuco




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