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Vida no espaço? Cientistas encontram compostos orgânicos em planeta anão

anigif-fgcell

Ceres, o planeta-anão conhecido por ser o maior corpo de um cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, parece ter material orgânico formado no próprio asteroide.



Os pesquisadores encontraram compostos orgânicos alifáticos (blocos de construção baseados em carbono que podem ter um papel na química que permite a presença de vida). De acordo com o estudo feito a partir de dados da sonda espacial Dawn, da Nasa (Agência Espacial Americana), o material se formou em Ceres --não chegou ali vindo de outro lugar.

O instrumento detectou absorção a comprimentos de onda que são característicos dos grupos metil e metileno presentes na matéria orgânica alifática, indica o estudo publicado na Science.

Os dados recolhidos, no entanto, não eram suficientes para determinar exatamente qual é o composto formado no planeta. Os cientistas sabem que eles combinam minerais semelhantes ao alcatrão, a cerite ou a asfaltite.

"Os compostos químicos encontrados (amônia, gelo de água, carbonatos, sais e material orgânico) indicam a existência de um ambiente químico bem complexo, o que sugeriria um ambiente favorável para uma química pré-biótica, ou seja, algo bem próximo do que poderia gerar vida"

Esse tipo de material seria destruído pelo calor do impacto, por isso os cientistas acreditam que não venham de fontes exteriores. Além disso a forma como está distribuído pela superfície não indica que tenha vindo de um corpo externo.

Tem água?
Além dos compostos orgânicos, cientistas também já indicaram a presença de água nas crateras de Ceres, elemento considerado essencial para haver vida.

Segundo uma pesquisa publicada em dezembro, Ceres concentra água congelada nas regiões mais escuras.

Nessas regiões, os cientistas identificaram 634 crateras que servem como depósito para todo esse gelo. Em 2014, os cientistas também anunciaram a presença de vapor de água no planeta.

Partiu, Ceres?
Os pesquisadores acreditam que essas descobertas podem ajudar a entender como se formam compostos orgânicos interestelares e como eles interagem entre si.

A pesquisa também pode ajudar a compreender como os primeiros organismos sugiram na Terra e até no Sistema Solar, mas segundo pesquisadores ainda não dá para pensar em viver no planeta-anão.

"Ceres tem gravidade bem baixa, não possui atmosfera e tem uma temperatura média de cerca de -100º C. Portanto, é bem baixa a chance de que qualquer tipo de vida, mesmo que microscópica, venha a evoluir num ambiente inóspito como este, pelo menos nos padrões que temos como referência", explica Nader.

Luzes?
Ceres já foi alvo de um grande mistério ocorrido em 2015, quando uma nave não tripulada na Nasa registrou a existência de pontos luminosos na superficie do planeta anão.

As especulações sobre a origem desses pontos giravam em torno do sal ou do gelo, embora alguns cientistas diziam que eram gêiseres, vulcões ou inclusive sugerindo outras possibilidades.

Agora, um novo estudo publicado na Revista Nature diz que é bem provável que seja apenas uma dessas respostas: o sal.

O Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa disse que é um tipo específico de sulfato de magnésio chamado hexa-hidratado. Um tipo diferente de sulfato de magnésio que é bem familiar aqui na Terra, onde é comumente conhecido como sal Epsom.



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