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Tóquio corta prova dos 200 m, e Isaquias não pode repetir três medalhas em 2020

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Por Folha

Jesus Morlán não promoverá o milagre da multiplicação das medalhas de Isaquias Queiroz em Tóquio-2020.

O técnico espanhol que levou o canoísta baiano a três medalhas nos Jogos do Rio não conseguirá repetir a façanha histórica porque a Federação Internacional de Canoagem tirou do programa da Olimpíada japonesa a prova C1 200 m, que deu a medalha de bronze a Isaquias, 22.

A medida ocorre para incluir duas provas femininas de canoa. Para isso, duas masculinas foram retiradas.

“Não gosto [da exclusão do C1 200 m] porque é uma decisão injusta com os velocistas. Podiam ter ao menos incluído uma prova de 500 m. Deste jeito, matam uma geração de velocistas, uma aposentadoria por decreto”, afirma Morlán, 49, àFolha.

Dos velocistas aos quais o treinador se refere, apenas Isaquias consegue remar provas rápidas (200 m) e de resistência (1.000 m). Assim, em 2020, o baiano pode buscar medalhas nas provas C1 1.000 e C2 1.000, nas quais ele conquistou duas pratas no Rio, a última em parceria com Erlon Souza, 25.

“Nunca na história houve um medalhista em provas de 200 m e 1.000 m em Olimpíadas. Nunca houve também um canoísta com três medalhas na mesma edição. Exceto Isaquias”, lembra Morlán.

Se fossem provas do atletismo, o espanhol diz que seria o mesmo que o atleta correr os 400 m e os 1.500 m.

Com essa mudança para Tóquio, Isaquias deixará de competir em provas de 200 m em etapas de Copa do Mundo e Mundiais. Continuará nas de 500 m e 1.000 m.

Já está certo, mas Morlán ainda não renovou o contrato com o COB (Comitê Olímpico do Brasil). Todas as partes, incluindo a Confederação Brasileira de Canoagem, confirmam a permanência.

“O COB quer, eu quero, os meninos querem. Fico até Tóquio e, depois, tchau para todo mundo”, diz o técnico.

E o espanhol já prepara seu substituto: Nivalter Santos, 28, ex-canoísta que cursa educação física em Belo Horizonte e será seu auxiliar.

“Nivalter em 2020 vai estar pronto. Contratar outro gringo não acho recomendável”.

Eles continuarão em Lagoa Santa (MG), onde Morlán controla até mesmo a casa onde os atletas moram com ele.

“Gostaria de ter quatro ou cinco para treinar. Mas atrás de Isaquias não há muita coisa. Há bem pouco, na verdade”, afirma o técnico que manterá Erlon e Ronilson Oliveira, 26, na equipe, e ainda deseja incluir mais um ou dois atletas mais jovens em sua rotina rígida de treinos.

“Eles sofreram, coitados. Foi muita porrada. Não sei se sou um bom técnico e uma boa pessoa”, diz, rindo. “Criei uma relação afetiva com eles. Bato, cutuco até o limite”.

Deu certo. E após as três medalhas de Isaquias no Rio, Morlán o chamou para “uma conversa de pai”.

“Ele tem carisma, é divertido, tem um perfil precioso. Tomara que o ajudem. Agora, vai ter novos amigos, além da lista de mulheres e urubus”, alerta Morlán.

“É muita pressão, ele vai ficar mais bonito, mais interessante, com mais grana. Sei como funciona, falei para ele ter cuidado. Dei conselhos. Mas não estarei ao lado em Ubaitaba [BA]. Para lidar com o sucesso é preciso ter cérebro, e ele tem. Só espero que alguém diga ‘calma’, porque ninguém fala ‘não’ para medalhista olímpico”, diz.

A meta em Tóquio é conquistar o primeiro ouro da canoagem brasileira. “Partimos da prata agora. Qualquer resultado seria pior”, afirma.

A seleção entrou em férias. Morlán está em Lagoa Santa concluindo seus estudos. No domingo (28), vai à Colômbia encontrar a mulher, Tânia, e a filha, Sofia, 5, a quem não vê há 13 semanas. Depois, Disney e Espanha, antes de pensar só em Tóquio.

ACERTO COM PETROBRAS

Jesus Morlán espera que as medalhas rendam melhoria financeira a Isaquias. Como a Folha antecipou na edição de terça (23), a Petrobras quer a liberação do uso de imagem do atleta em contrapartida pelo aporte de R$ 10 milhões na Paraolimpíada. “Tomara que ele acerte a melhora de contrato”, diz.

Em prêmios, Isaquias vai ganhar R$ 100 mil do COB (via patrocínio de Bradesco e P&G) e R$ 132 mil da Confederação Brasileira de Canoagem.



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