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Muito ensaiado, “Adnight” falha na proposta de “desconstruir” Galvão

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Por Mauricio Stycer|Uol - Não é um talk show, nem um late show, como a Globo anunciou. Não é também um game show, nem um programa de auditório, apesar de contar com uma claque. Também não é um jornalístico, nem um reality show.

O fato de não se enquadrar em nenhum gênero até poderia ser uma qualidade, se o resultado fosse interessante. Não foi o caso, ao menos na estreia, de “Adnight”.

A atração nasceu com a seguinte proposta, nas palavras de Marcelo Adnet: “É um programa que desconstrói positivamente o convidado, busca uma humanização para além da figura pública.”

O convidado da estreia, Galvão Bueno, não poderia ter sido pior. O narrador da Globo resistiu bravamente à ideia de se expor. O discurso parecia ensaiado. O gestual era de quem estava apresentando o “Bem Amigos”. Desacostumado a não ser o protagonista, Galvão chegou a dizer a Adnet, como se fosse necessário: “Você é o dono do programa”.

Ensaiado em excesso, minuciosamente roteirizado, o episódio com Galvão foi gravado em 23 de julho. Uma cena da decisão do futebol nos Jogos Olímpicos foi inserida para dar alguma temperatura.

Um quadro, com a presença de Arnaldo Cezar Coelho, Reginaldo Leme e Daniela Mercury, procurou ver quem conhecia melhor o narrador. Valeu para descobrirmos que Galvão gosta de comer carne mal passada.

No quadro “Pisando em ovos” (dedicado a tratar de “temas delicados”), Adnet quis saber se Galvão já sentiu vontade de ir ao banheiro no meio de uma transmissão (sim), se é a favor ou contra o casamento gay (“acho um absurdo quem é contra”), com quantos anos perdeu a virgindade (“acho que 15”), se acha que a Copa de 98 foi vendida (“Como se compra uma Copa?”) e o que achou da campanha “Cala boca, Galvão” (“levei na brincadeira, na boa, sem raiva de ninguém”). Ok.

Ao convidar Mauricio Cid, um dos roteiristas do programa, a brindar com Galvão, Adnet talvez tivesse a intenção de extrair algo do narrador. Afinal, foi Cid quem criou a campanha “cala boca, Galvão'' na Copa de 2010, que deixou o narrador e a Globo transtornados na época. Mas não saiu nada daí. Apenas um falso agradecimento de Galvão ao blogueiro (para entender o episódio, leia aqui).

O melhor, ainda que também pouco natural, foi a abertura. Marília Gabriela “ensaiou” Adnet, questionando-o ao estilo “Cara a Cara''. Qual é o seu maior sonho: “Não ser reconhecido na rua”, respondeu o apresentador, parecendo bem sincero. Pedro Bial o chamou de “paladino do humor”. E Joel Santana o convocou em “inglês” para dar início à “luta”.

Acho preocupante que o elenco de convidados já anunciado se limite a figuras que trabalham na Globo. O programa com Galvão teve momentos de “Video Show”, na exaltação à própria emissora, e outros em que lembrou um evento de empresa, apresentado por artistas famosos.

Vamos precisar esperar alguns episódios para julgar se valeu a pena o longo esforço para criar e desenvolver “Adnight”.

Audiência: Dados prévios do Ibope indicam que “Adnight'' registrou média de 14,4 pontos em São Paulo. Em segundo lugar ficou o SBT (11,8) e em terceiro a Record (7,6). Emendado em “Justiça'', o programa de Adnet começou com 25 pontos e terminou com 10,7 (atrás de “A Praça É Nossa''). Esses números podem sofrer alteração na manhã de sexta-feira, quando o Ibope divulgar os dados consolidados.



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