sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Estudantes da UFRN fazem protesto sem roupa, nos banheiros da Universidade


O banheiro masculino do bloco G do Setor II da UFRN foi tomado hoje por por um ato, digamos assim, inusitado. Todos nus e se jogando à vontade. Falam em movimento contra o machismo. São várias as fotos. Abaixo, o manifesto assinado ‘Biba la revolucion’:


Eis o manifesto:

‘Medo de Glitter’

escrito em 15/08/2013, às 06:26 da manhã, na rebordosa de uma noite não dormida e festejada

“Nuestra venganza es ser felices” Mujeres Creando

Crescem os casos relatados de violências – tanto físicas, quanto psicológicas – contra mulheres, bichas, sapatas, trans*, dentro dos espaços políticos de esquerda – incluindo este, a Revolta do Busão –, o que atesta uma ainda muito forte hegemonia do pensamento macho nas formas de articular e operar política antissistema. Se, nos espaços de esquerda, forjam-se contrapontos ao conservadorismo da direita, o que temos percebido é, pelo contrário, um crescimento das práticas opressoras do macho adulto branco e heterosexual interiorizadas em dinâmicas políticas supostamente libertárias.

Mas não viemos aqui para nos lamentar pela INCAPACIDADE desses sujeitos encarcerados pelas normas sexuais e de gênero, castrados de cu, em dar-se conta de seus próprios privilégios e da violência que engendram cotidianamente OU para convencê-los de qualquer coisa. O que queremos é nos dirigir às afetadas – mulheres, bichas, baitolas, travas, transexuais, intersexuais, transgêneros, piriguetes, putas, gordas, sapatas, caminhoneiras, pintosas, divas, feias, patricinhas, anarkas… – para dizer-lhes que é possível RESISTIR, que a superioridade do macho adulto branco e heterosexual de família é uma ficção política sustentada ao custo do silenciamento das vozes e expressões dissidentes. CHEGOU A HORA DE GRITAR, de berrar alto o quão limitada é a racionalidade que sustenta esse regime político.

Queremos dizer às afetadas que reajam! que treinem, lutem, aprendam a mexer com faca, a dizer NÃO, a responder quando incomodadas, que ocupem espaços políticos, que proliferem e disseminem a violência afemininada como estratégia de resistência ao regime machulento! Queremos ver até que ponto dura a supremacia mascu diante de afetadas insubmissas, rebeldes, revoltadas, sangue no olho, dispostas a arrancar elas mesmas o pau dos estupradores, a bater elas mesmas nos agressores, intervindo e deslocando os regimes de privilégio sustentados pela reprodução de um sempre mesmo corpo dominante que age em detrimento de uma multiplicidade de corpos entendidos como frágeis, passivos, despotencializados, sem capacidade de resistência.

Queremos excitar agrupamentos feministas que trabalhem em autodefesa com autonomia; matilhas que retomem as ruas, recriem hábitos vadios nas madrugadas, ressiginifiquem os espaços velados aos corpos contra-hegemônicos, que passeiem livremente por lugares abertos sem precisar da companhia de um tio, um pai, um irmão, namorado, enifm, um macho protetor… Porque nosso direito à cidade depende diretamente da destruição do autoritarismo machista!”.

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